Versão rosa, de um mundo amarelo, segundo a mente perturbada de um idiota

by Le petit bas-bleu

(artigo fora do prazo, saído de um baú de 2007, aquando do referendo)

Até os peixes já ouviram a frase mais batida do mundo: “a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro“, inclusive eu já a gritei aos sete ventos. No entanto, no dia do referendo à despenalização do aborto em Portugal isso não me vai afectar.

Não é que eu seja estúpido e não tenha percebido o seu verdadeiro significado, mas estou preso às convenções. Dá-me muito trabalho pensar e desconstruir tudo o que já mastiguei.

Dia 11 vou usufruir da minha liberdade e exercer um dos meus direitos: vou votar NÃO à despenalização! Se o NÃO ganhar o aborto vai acabar!

Sou a favor da vida, i´m a believer e o meu próximo feito será erradicar a fome e a guerra do mundo, excepto a das mulheres que fizeram um ou dois abortos. Não vou pagar impostos para manter a leviandade delas! Essa escumalha faz parte do grupo dos MAUS. O mundo é composto por BOAS e MÁS pessoas e os portugueses deviam dividi-lo ao meio outra vez, deixando as más em território espanhol.

Eu pertenço às BOAS obviamente: sou um poço de moral e ética, acredito piamente nos ensinamentos da Igreja e pratico-os. Também conheço e pratico a máxima cristã “ama o teu próximo”. Contudo, neste caso tenho algumas reservas e prefiro não me aproximar.

Sei de cor aquela passagem bíblica: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra“, acho-a a oitava maravilha do Património Cultural Intangível da Humanidade. Como nunca pequei e tenho experiência nestas coisas de voluntariado, prontifico-me desde já a ser o primeiro a apedrejar, a título de exemplo.

Autor: A moral e os bons costumes

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