Vida de “praiante” é dura

by Le petit bas-bleu

A Primavera ainda agora chegou e o Verão já deu o ar de sua graça. Com esta súbita e drástica mudança de tempo interrogo-me se as 12 horas que julgo ter dormido ontem não terão sido um coma de 3 meses e os calendários estão tão baralhados quanto o nosso rico planeta. Esta teoria ser-me-ia bastante vantajosa, mas como o mundo gira à volta de quem não tem nada de útil para fazer, lamento dizer que ainda estamos em Abril.

A época balnear ainda não abriu, pelo menos oficialmente, no entanto, parece que já estou a ver os ”praiantes” a desdobrarem as suas toalhas de felpo coloridas, a encherem-se de loção de coco da Yves Rocher e a ligarem às amigas tão ou mais inúteis, para marcarem uma produtiva tarde de praia, prontas para começarem o mais árduo e importante dos trabalhos: bronzear o rabinho, com ou sem processo de emagrecimento a decorrer, já que a alternativa aos dias de praia no Inverno, foram os dias passados no ginásio, em busca do corpo perfeito.

O verdadeiro “praiante” ontem pôs, de certeza, um pé no areal e só o arreda depois de passar por todas as tonalidades que a difícil tarefa de bronzear implica: começa pelo rosa choque em dégradé, passa pelo laranja com pintas castanhas e acaba no preto baço, o meu preferido.

Como extensão às cansativas tardes de praia seguem-se as custosas noites de Verão. O “praiante” fica cansado só em pensar no que é que vai vestir, qual a vestimenta mais apropriada para mostrar o fruto do seu trabalho. É nesta altura que mostram o seu lado prático (e não só) e vestem pouca coisa, mesmo que já tenham adquirido toda a colecção de Primavera/Verão do grupo Inditex logo a seguir ao Natal, em plena época de saldos.

A vida do “praiante” não é fácil, por vezes este depara-se com preocupações do tipo: “o biquíni do ano anterior perdeu a elasticidade e o respectivo padrão está out”.

Contudo, a maior das dores de cabeça não é essa, mas as horríveis e inevitáveis marcas do biquíni consideradas um factor eliminatório na corrida à medalha de bronze. Para combater esse flagelo, o “praiante” mais pudico alterna entre solário e praia até adquirir um tom de pele homogéneo. Qualquer tonalidade abaixo do preto acinzentado não é considerada válida, pois este só atinge o expoente máximo da sua realização pessoal quando é confundido com um Zulu.

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