Vocês miúdos fúteis, desculpem-me, mas só têm merda nessa cabeça

by Le petit bas-bleu

Segundo os meios de comunicação social, e dito por outras palavras, tudo o que acontece de negativo é da responsabilidade da “crise económica”.

A “crise económica” está para os media, como o diabo estava para a religião, quando a sociedade era totalmente controlada pela Igreja. Assim sendo, a emergência de uma crise de valores deve-se também à crise económica, como é natural.

Uma tese de mestrado em Sociologia não me chegaria para desenvolver o tema “crise de valores”, por isso vou poupar-vos dessa palha altamente inflamável e fazendo um bocado o papel de “velho do Restelo”, vou ser muito directa:

Vocês miúdos fúteis, desculpem-me, mas só têm merda nessa cabeça. Vivem obcecados com a imagem. A palavra imagem é ambígua e é exactamente a essa ambiguidade que me refiro. Querem ser perfeitos física e socialmente. Querem ser “cool”, ou melhor, “supacool”. Querem tanto ser evoluídos, desprendidos e despidos de preconceitos que se tornaram uma reles imitação de pop-star. Não se apercebem sequer que são o lixo da cultura pop e que até uma lata de tomate tem mais valor.

Envergonham uma carrada de gente que lutou por abrir as portas da sociedade à liberdade e à igualdade. Querem exemplos? Pois muito bem, os gays são um bom exemplo. Durante décadas lutaram por um lugar, que já lhes pertencia, na sociedade. Apesar de ainda haver algum preconceito, conseguiram conquistar o seu espaço. No entanto, o espaço deles está constantemente a ser invadido por uma nova espécie de lixo urbano que também quer ser gay porque é trendy e faz questão de espalhar aos sete ventos “Sou gay!”.

But, who cares?! Não vejo ninguém a dizer: “Sou hetero!”. Não perceberam ainda que vivemos numa sociedade individualista e que estamos todos a cagar-nos uns para os outros, ó gente evoluída?! A fase de indecisão, de descobrir quem são e do que é que gostam é legítima e respeito. Mas eu refiro-me às criaturas que nem sequer questionam, que acham também que o facto de termos cabeça só tem um propósito: usar uns headphones da Wesc.

O medo de serem “uncool” consome-os e aterroriza-os enquanto dormem, pois acordados não têm sequer essa consciência: são os maiores! O “just because” e “why not?” são as suas expressões preferidas e fazem qualquer coisa… só porque.

Sexo, drogas e rock ‘n’ roll são coisas de meninos, a questão agora é se fazes sexo flexível? Como é que te drogas? E rock ‘n’ roll? Nah! Música sem alma para o corpo! Beber pela garrafa à punk é conservador. “Cool“ é enfiar um tampão cheio de álcool pelo cu acima! Tirar fotos com as amigas para recordarem a noite passada está completamente out! In é ver no youtube os vídeos da festa decadente.

Se te identificas com estes lixos, perdão, “nichos” urbanos neo-nilistas pós-modernos, explica-me como se eu fosse muito burra qual é a graça de tudo isto, pois sou demasiado quadrada para entender. Obrigada.

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