Rádio Matafome (de muita gente)

by Le petit bas-bleu

Desde que surgiu a rádio Vodafone, reparei que comecei a poupar significativamente em cotonetes. Talvez tenha conseguido reduzir um minuto no meu duche diário, o que é altamente improvável.

Quando o meu inseparável ex-computador morreu, não tive outra alternativa senão virar-me para a forma mais arcaica de ouvir música, isto é, comecei a ouvir rádio compulsivamente, chegando a consumir grandes doses diárias da antena3. É verdade que tem alguns programas interessantes e que para serviço público a coisa podia ser bem pior, comparando com outras rádios de fácil sintonização/péssima audição presas aos anos 90, essa bela década.

Mas uma coisa é matar o vício na fila de trânsito com a antena3, outra é intoxicar-me com ela.

Graças a uns mupies fajutos que vi espalhados pela cidade do Porto resolvi experimentar e sintonizei-me em 94.3 FM, por uma questão de respeito ao único Operador de comunicações credível no mercado. Eis que consegui evitar uma decepção na minha vida e ouvi “menos do mesmo”, como é referido várias vezes na rádio que “sabe que nós sabemos de quem estão a falar”.

Além de dar crédito às novas banditas portuguesas, que até não são assim tão intragáveis, a Vodafone FM passa o tipo de música que toda a gente com o mínimo de bom gosto consome: indie, rock, indie rock, pop, indie pop, experimental (indie experimental? Hum!), spoken word soul, fusion, jazz poético entre outras coisas menos felizes e com nomes agradáveis aos olhos dos leitores do Ípsilon, que ninguém sabe muito bem o que são, mas que já ouvi repetirem-se vezes de mais.

Seja como for, “os gostos discutem-se”, o calo do zapping desenfreado está fora de moda e a pobreza de espírito tem limites.

Não tem discos pedidos, mas podes votar no que gostas de ouvir, à la mode de facebook, no respectivo site. Não se deixou arruinar pela Publicidade, porém, ainda não é perfeita, mas pode vir a ser, ou talvez não.

Tem alguma coisa de rádio pirata, de Voxx e é sem dúvida a “ melhor rádio cá do prédio”.

O melhor de tudo é que acabou-se a ditadura e a Rihanna, os Black Eyed Peas e os Xutos são agora estigmas do passado de quem não tem computador, mp3 ou outra coisa qualquer.

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