Le petit bas-bleu

Me too

Anúncios

Introduza o título aqui, se conseguir

Oh fucking land

Yuppies, esse excremento do capitalismo

Projectos de homens passam por mim todos os dias,  dentro de fatos Hugo Boss, impecavelmente engomados. Correm devagar,  falam rápido e emanam o último sucesso de vendas em fragrâncias. Não usam gel, finalmente perceberam que enfraquece o cabelo e a sua crescente preocupação com a aparência compete agora com a ambição desmedida. Não perceberam que é feio, não, alguém lhes disse, embora só tenham ficado convencidos quando a calvície lhes sussurrou no hall das entradas.

Yuppies, esse excremento do capitalismo. Passeiam de blackberry enquanto gritam palavras de ordem, num tom burguês educado.

Yuppies, arranjam o nó da gravata no espelho do elevador.

Yuppies, usam calças justas no rabo.

Yupi yuppies de merda.

Fuck admin too!

Peixe congelado

Não tenho tempo para mandar postas.

Everybody was well dressed Everybody was a mess

Não comi fruta hoje, nem ontem

Coisas em que tenho pensado ultimamente

Je reblog

Foram os dois passear

Mais uma vez constato que a minha inspiração é amiga do meu descontentamento.

Perdidos e achados

Edição do ípsilon dedicada ao último filme de Nanni Moretti, “Habemus Papam”.

Habemus capa e não comprámos o jornal! Dammit!

L’essentials de Clare Owen

The Dø

449

Às vezes tenho a prudência de um cão agitado dentro de uma loja de porcelanas finas. Sem querer, parto um ou dois bibelots e passo por cima dos cacos, sem protecção nas patas.

Um bijou sem sal

Para quem tem uma lista enorme de filmes pendentes, incluindo pérolas e clássicos, um filme de 2010 é um pão com dois dias. É o caso do Blue Valentine.

Entre tentativas de encolher a lista e algumas recomendações de amigos, fiz do filme uma torrada.

Pão com manteiga é quase um dos meus pratos preferidos. Torradas então nem se fala. Começo a salivar se pensar em torradas de pão alentejano barradas com manteiga Loreto. Qualquer inimigo do colesterol é meu amigo e a manteiga com sal é o meu caviar.

Mas o Blue Valentine soube-me a pão bijou barrado com Becel. Nhac.

Achei o filme insípido. Mesmo.

Às vezes não entendo este público feminino, do qual faço parte. O que é que o filme tem de especial?

Nem sequer vi romance.

E de filmes sobre famílias disfuncionais americanas, com ou sem recurso à fórmula – boy-meets-girl, boy-loses- girl – no topping, estou um bocado farta. Ainda que sem desarrufo possível, desta vez.

“Podia ser pior”

O “podia ser pior” é terminantemente aquele lugar-comum onde eu não quero entrar. Já me esbarrei imensas vezes contra a porta desse hospício. A porta é larga e cabem lá todos, como no coração de uma mãe, mas só numa camisa-de-forças é que me põem lá dentro.

O “podia ser pior” não é um eufemismo.
É um atestado de burrice, é uma baixa fraudulenta, é um contrato de exploração com a nossa assinatura por baixo.

Desengane-se quem pensa que balbuciar “podia ser pior” é um acto encorajador. É típico português, mas não é bom como o queijo da serra. É típico português medíocre.

Existem vários níveis e alguns são, efectivamente, piores do que outros.

Em português mole, “podia ser pior” é o mesmo que: “Anima-te, não é assim tão mau!”. Numa primeira análise e sem artifícios é uma expressão de consolo. Muito bem. O receptor da mensagem agradece a amabilidade, esboça um sorriso e life goes on. Este é o único nível aceitável.

Mas quando há um contexto sombrio por trás, a expressão não é inocente. Quando um reles manipulado pela máquina que o explora, ainda que inconsciente da sua condição mas com consciência que a exploração é um fenómeno em cadeia, lança uma verborreia destas do alto da sua arrogância, em bicos de pés na pirâmide, só me apetece esbofeteá-lo por ser tão estúpido e dizer-lhe que podia ser pior se ele se engasgasse na própria saliva. Este é o segundo nível.

Não poder despejar um balde de lucidez sobre estas cabeças, que não são ocas, mas estão atulhadas de lixo reciclado até ao lobo frontal é realmente uma frustração.

A raiz do mal manifesta-se sempre de cima para baixo, tal como o exemplo, especialmente o não praticado. O terceiro nível dá a ordem em efeito dominó. Pouco tempo depois é seguido criteriosamente pelas partes, não vá o todo atirá-las para a valeta.

O produto interno é bruto, não controla, nem sabe que é controlado e o discernimento cai em desuso.

Mas “podia ser pior”.

Podiam obrigar-nos a trabalhar de graça e a fazer horas extra, mas vejam pelo lado positivo: só aumentam a carga horária.

Podiam retirar-nos o salário durante uns anos, mas vejam pelo lado positivo: só retiram os subsídios.

Podiam acusar-nos de algum erro que não cometemos, mas vejam pelo lado positivo: desta vez vão deixar passar, que simpáticos.

O “podia ser pior” é pura maquilhagem.

As coisas são como são e se pudessem ser diferentes, podiam ser melhores.

Blog atravessa crise existencial

O bas-bleuzinho ainda não se encontrou, ora muda de fundo, ora muda de fonte, fica extremamente aborrecido quando percebe que a fonte que quer açambarcar é paga.

Não consegue dormir porque o tamanho da letra é enorme. Até o nome já reconsiderou, mas eu não autorizo alterações. Não sabe se quer um aspecto mais clean, mais moderno ou retro. Mas tem uma certeza: não vai ser fofinho.

Provavelmente não terá receitas, poesia, auto-retratos, look do dia, ou informação séria.

Provavelmente vai fazer jus ao seu querido nome. Provavelmente.

Continuo a contar de mais infinito para baixo

Mais do mesmo. Mais do mesmo. Mais do mesmo.

Mais do mesmo. Mais do mesmo. Mais do mesmo.

Mais do mesmo. Mais do mesmo. Mais do mesmo.

Mais do mesmo. Mais do mesmo. Mais do mesmo.

Um dia acaba.

O insustentável peso do ser

Não falo mais. Preciso de uma transfusão de sangue, tipo A positivo, muito positivo.

Detesto siglas e abreviaturas. Odeio mais abreviaturas do que siglas.

Fico com suores frios quando as ouço naquele ambiente, qual modelo americano mal importado, pouco importado.

E risos parvos, piadas brejeiras, verdades de La Palice. Fico enjoada, com cara de auto-noção.

Que hei-de eu fazer? Se vomito deixo de comer.

Manual de sobrevivência a conversa de chacha – Parte I

Perguntar se estamos bem-dispostos quando o nosso semblante indica precisamente o contrário merece a seguinte resposta:

Devido à minha má postura corporal, digamos que estou verticalmente disposta com inclinações côncavas. Se estivesse correctamente sentada estaria disposta num ângulo de 90 graus. Se gordura fosse formosura, em pé eu teria uma disposição vertical mais convexa.

Como vê trata-se de uma questão de perspectiva e talvez de enquadramento, mas deixemos esta última análise para os fotógrafos, artistas plásticos e afins.

Velhas oportunidades

A elevada taxa de desemprego, em Portugal, é directamente proporcional ao número de anúncios de emprego que entopem o meu email.

Chego a ficar perturbada com esta incoerência, ao ponto de fazer contas de cabeça. Terá havido, com certeza, um erro de cálculo nos últimos resultados apresentados, pois nunca houve tanta oferta de bom emprego como ultimamente.

Consulto diariamente as novidades do mercado de trabalho e com a mesma frequência vou enriquecendo o meu vocabulário. Todos os dias tenho a agradável surpresa de descobrir uma nova profissão. Não é maravilhoso? Desde operadora de embrulhos, a ajudanta de cozinha, não esquecendo juncionista de fibra óptica e promotora (m ou f).

Mas estes exemplos constituem apenas uma pequena amostra retirada de um universo tão vasto. É certo que o país está de tanga, mas continua fresco e muda-a todos os dias. Tem o cuidado de criar novas profissões para não ficar de rabo ao léu!

Ora, falando de rabo, quem não quiser levantar o seu do sofá e desempenhar uma das funções referidas, terá sempre alternativas, pois a nossa altruísta sociedade, em prol do bem colectivo, pensou em tudo. Criou mecanismos infalíveis de enriquecimento fácil para o cidadão fisicamente passivo (embora intelectualmente activo): dobrar desdobráveis, ou desdobrar dobráveis (esta tarefa requer um alto nível cognitivo).

Por outro lado, aqueles que preferem trabalhar fora de casa, ainda com a pretensão de ganhar uma quantia satisfatória sem suar, têm ainda, pelo menos, duas opções: se prefere trabalhar sozinho, poderá contribuir para o congestionamento do trânsito, enquanto conduz o seu veículo vinilizado do volante aos pneus a transpirar uma marca qualquer. O principal  objectivo é captar o olhar do condutor vizinho. Se a proeza é conseguida pela denunciadora condução sem destino, pelos “macacos” que está a tirar do nariz, ou pelo mau gosto da marca que representa, não interessa. Está cumprida a sua missão.

Se gosta de actividades mais dinâmicas, quiçá em equipa, poderá, por exemplo, distribuir publicidade em engarrafamentos. É uma função realizada por objectivos, uma vez que além do valor base que recebe, é-lhe dada também a possibilidade de açambarcar grandes somas, de moedas, como prémio, já que entre um flyer e um condutor há sempre uma gorjeta, ou um vidro.

Com todas estas vantagens se acha que é mal remunerado, a culpa não é do empregador, você é que não se esforça.

Aos ursos do metro do Porto

Ora aqui está um belo exemplo que o Metro do Porto deveria seguir.

Uma campanha para os ursos e dragões que não sabem ler o que está chapado a letras garrafais nas portas do metro, “ANTES DE ENTRAR DEIXE SAIR”, não chega. Eu acredito mesmo que estas criaturas tenham graves dificuldades de interpretação. Mas já é serviço público.

A minha sugestão é simples, não precisam de mudar muita coisa, basta substituírem “comboio” por “metro”, acrescentarem “elevador” e mudarem as cores.

A comunidade civilizada agradece.

Ontem vi este filme – Submarine (2010) ★★★

  • De: Richard Ayoade
  • Com: Noah Taylor, Paddy Considine, Craig Roberts
  • Género: Drama, Comédia
  • Classificacao: M/12

[ “Submarino” é o primeiro amor de um puto galês com tendências obsessivas, manipuladoras e cuscas, para quem tudo é uma questão de vida ou de morte (…) não estamos no território do filme adolescente do costume. ] ou [ Uma narrativa de “coming of age”, uma Inglaterra (…) longe das luzes dos grandes centros urbanos, os anos 80 (…) a história de um adolescente tímido, relativamente refinado nos gostos e nas referências (pelo menos em comparação com os “hooligans” que são seus colegas no liceu), preocupado em conquistar a namorada, primeiro, e não a deixar fugir, depois, enquanto tenta manter sob controlo o casamento dos pais, ameaçado pela erosão e pela “redescoberta” de uma antiga paixão da mãe.

Ayoade parece gostar de Godard, visto que lhe emula o estilo dos intertítulos (letras azuis e vermelhas, com súbitas erupções musicais), e o filme acaba frente ao mar, como o “Pierrot le Fou” ou o “Mépris”. ]

in Ípsilon

Até é giro, mas não me convenceu. Dou-lhe 3 estrelinhas, nem mais, nem menos.

No início fiquei perdida no tempo. O filme é actual, mas os pais do puto ficaram presos aos anos 70? Ou é dos anos 80 e os pais do puto são uns old-fashioned? O guarda-roupa do casal confunde, mas as dúvidas dissipam-se quando aparece o charlatão da auto-ajuda com um penteado mesmo 80’s.

O filme está carregado de metáforas, analogias e outras figuras de estilo.

Mostra como um adolescente totó e solitário deixa de ser totó quando conquista a menina rebelde, regride novamente à “totózice” para salvar o casamento dos pais, na altura em que a míuda mais precisava dele, deixa de ser totó novamente depois de passar por uma pequena depressão (herança de família) e acaba tudo bem.

Enfim, a expressão do puto passa de assustadora a engraçada à medida que deixa de ser nabo.

Inspiração

Sobre o filme só tenho a dizer três coisas: começa muito bem, a meio descamba e no fim torna-se uma desilusão.

A ideia principal é boa. 4

Yes We Can change the world

Já dizia Gil Scott-Heron, no seu primeiro álbum (1970)

Ó gente da minha terra

Não foi só agora que percebemos, que a tristeza da Amália é a nossa tristeza. Quem conhece a letra sabe do que estou a falar.

Mas já chega de choramingar e jogar no euromilhões. Tristezas não pagam dívidas públicas!

Eu aceito a melancolia como um traço que caracteriza o espírito português e prefiro-o à alegria nonsense de um brasileiro com lesões cerebrais. Mas por favor, não vamos transformar os estados de alma em doenças patológicas.

Esta febre intermitente causa-me insónias. Das duas uma, ou acabamos com esta maleita, ou acabamos com esta maleita.

Já que ainda não arranjamos um líder que conduza indignados, aborrecidos e os “assim-assim”, comecemos pela auto-gestão.

[Se não tens riqueza de espírito e dois dedos de testa, esta conversa não é para ti, continua a arreganhar a tacha como se nada fosse.]

“Este país não é para novos” e “Este país não é para ninguém” são frases que me dão voltas ao estômago.

Este país é para quem afinal? Para zombies?!

Já agora os filmes dos irmãos Coen também não são para bocas sem dentes!

Este país é “O regresso dos mortos-vivos”?!

Olhem bem para nós, parecemos uns robots programados e telecomandados?! Os pobres de espírito ficaram lá atrás.

Eu não nos vejo assim.

Mais cuspidelas e menos chá morno!

A Lebre Pedro e a tartaruga filósofa, uma fábula realista e sem moral

Certo dia, a lebre Pedro desafiou o caranguejo Portucale a apostar na sua vitória, numa competição de rali de regularidade contra a tartaruga filósofa.

“Será uma prova longa e dolorosa, o terreno é inóspito, há imensos desvios e buracos cavacados até ao infinito. A tartaruga está cansada, sem moral e é bem capaz de desistir a meio da corrida. Se apostares em mim patrocinas-me a entrada na corrida e eu garanto-te a mudança de rumo!” – disse a lebre ao caranguejo.

Portucale sentia-se triste e magoado devido às apostas que efectuara anteriormente sem sucesso. Contudo, a sombra do endividamento perseguia-o e na esperança de que uma última aposta bem sucedida pudesse resolver todos os seus problemas decidiu arriscar tudo. Levou as tenazes à cabeça e apostou na lebre.

Chegou o dia do rali, a lebre Pedro e a tartaruga filósofa estavam prontos para iniciar a corrida. Assim que soou o apito que sinalizava a partida começaram todos a correr. Enquanto a lebre distraía o público com malabarismos, a tartaruga escondeu-se discretamente até desaparecer e o caranguejo continuou a andar para trás.

Ou não

Ultimatum às gerações contemporâneas

ÀS GERAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉC. XXI

Acabemos com este maelstrom de chá morno!
Mandem descascar batatas simbólicas a quem disser que não há tempo para a criação!
Transformem em bonecos de palha todos os pessimistas e desiludidos!
Despejem caixotes de lixo à porta dos que sofrem da impotência de criar!
Rejeitem o sentimento de insuficiência da nossa época!
Cultivem o amor do perigo, o hábito da energia e da ousadia!
Virem contra a parede todos os alcoviteiros e invejosos do dinamismo!
Declarem guerra aos rotineiros e aos cultores do hipnotismo!
Livrem-se da choldra provinciana e da safardanagem intelectual!
Defendam a fé da profissão contra atmosferas de tédio ou qualquer resignação!
Façam com que educar não signifique burocratizar!
Sujeitem a operação cirúrgica todos os reumatismos espirituais!
Mandem para a sucata todas as ideias e opiniões fixas!
Mostrem que a geração portuguesa do século XXI dispõe de toda a força criadora e construtiva!
Atirem-se independentes prá sublime brutalidade da vida!
Dispensem todas as teorias passadistas!
Criem o espírito de aventura e matem todos os sentimentos passivos!
Desencadeiem uma guerra sem tréguas contra todos os “botas de elástico”!
Coloquem as vossas vidas sob a influência de astros divertidos!
Desafiem e desrespeitem todos os astros sérios deste mundo!
Incendeiem os vossos cérebros com um projecto futurista!
Criem a vossa experiência e sereis os maiores!
Morram todos os derrotismos! Morram! PIM!

J o s é d e A l m a d a N e g r e i r o s

P O E T A

F U T U R I S T A

E

T U D O

Adivinha (ou o Sócrates volta)

O seu riso tem mais graça do que as suas anedotas.

Mas suas piadas já me prenderam a laringe.

Às vezes comunicamos por telepatia.

Quando sei em que está a pensar e ela sabe no que penso, ninguém sabe do que nos rimos.

De quem falo?

Geração à rasca precisa urgentemente de papel higiénico

[“Ana Filipa Pinto é a autora do livro “À Rasca – Retrato de uma Geração”. É um relato acerca do que se sente em não ser acolhido pelo mercado de trabalho do próprio país, mas é também fruto de uma grande investigação. Com 21 anos, quer ajudar a “reinventar” o país.”]

in Público

Agora pergunto como é que uma miúda de 21 anos percebe tanto de gerações à rasca e precariedade.

Acabou o curso e sentiu-se logo à rasca? Coitadinha!

Ainda vou explorar melhor este assunto porque não quero dizer muitos disparates, mas a verdadeira geração à rasca precisa de um rolo de papel higiénico com urgência, pois está farta desta merda.

Roubei à Vogue Paris

Aqui há tempos, enquanto deambulava pelo facebook dei de caras com uma publicação da Vogue Paris, sobre os 10 melhores sites do momento.

O “momento” já passou, estas coisas ligadas à moda são mais efémeras do que um chocolate ao sol, mas os sites continuam a ter piada. Para quem ainda não conhece, eis alguns que aconselho a visitar e quiçá participar:

http://www.epicexquisitecorpse.com/

http://www.thecoveteur.com/

http://www.theshapeofthejourney.com/

http://theburninghouse.com/

Participei no cadavre exquis, mas já não encontro a minha obra de arte. Na casa a arder, por desleixo não consegui ser a primeira portuguesa a participar, tal como era a minha intenção. Mas quando arranjar uma máquina fotográfica decente, pelo menos as minhas galochas verdes vão aparecer.

Versão rosa, de um mundo amarelo, segundo a mente perturbada de um idiota

(artigo fora do prazo, saído de um baú de 2007, aquando do referendo)

Até os peixes já ouviram a frase mais batida do mundo: “a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do outro“, inclusive eu já a gritei aos sete ventos. No entanto, no dia do referendo à despenalização do aborto em Portugal isso não me vai afectar.

Não é que eu seja estúpido e não tenha percebido o seu verdadeiro significado, mas estou preso às convenções. Dá-me muito trabalho pensar e desconstruir tudo o que já mastiguei.

Dia 11 vou usufruir da minha liberdade e exercer um dos meus direitos: vou votar NÃO à despenalização! Se o NÃO ganhar o aborto vai acabar!

Sou a favor da vida, i´m a believer e o meu próximo feito será erradicar a fome e a guerra do mundo, excepto a das mulheres que fizeram um ou dois abortos. Não vou pagar impostos para manter a leviandade delas! Essa escumalha faz parte do grupo dos MAUS. O mundo é composto por BOAS e MÁS pessoas e os portugueses deviam dividi-lo ao meio outra vez, deixando as más em território espanhol.

Eu pertenço às BOAS obviamente: sou um poço de moral e ética, acredito piamente nos ensinamentos da Igreja e pratico-os. Também conheço e pratico a máxima cristã “ama o teu próximo”. Contudo, neste caso tenho algumas reservas e prefiro não me aproximar.

Sei de cor aquela passagem bíblica: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra“, acho-a a oitava maravilha do Património Cultural Intangível da Humanidade. Como nunca pequei e tenho experiência nestas coisas de voluntariado, prontifico-me desde já a ser o primeiro a apedrejar, a título de exemplo.

Autor: A moral e os bons costumes

Coisas soltas, escritas sem sentido, num dia de ressaca

O meu cérebro hoje está de folga e deu ordens ao corpo para descansar. Deixou-me algumas capacidades que ainda me distinguem de um vegetal: consegui encomendar uma pizza, consegui não ter vontade de ver o “Mamma Mia” que estava a passar no caixote do lixo nacional, estou a conseguir atender o telemóvel e ouvir repetidamente a “Take This Waltz” do Leonard Cohen enquanto escrevo isto.

O mais incrível é que sinto-me mesmo bem. Às vezes sou assaltada por momentos de felicidade estúpida sem consumir drogas. Não sei qual é o efeito da cocaína, mas não deve andar muito longe, segundo relatos de actuais toxicoINdependentes. Também já pensei nisso, que talvez não me tenha passado ainda o estado de embriaguez, mas a essa conclusão não me apetece chegar.

Imaginem que um terrível génio da lâmpada ameaçava lançar-me da estratosfera contra o solo terrestre, se eu não aceitasse ficar cega, surda ou muda. O que é que eu escolheria?

Adoro música, adorava saber tocar piano, adorava saber tocar a Waltz from “Masquerade” do Khachaturian como uma chinesinha sobredotada. Adorava assistir a um clássico da Ópera no Palais Garnier impecavelmente bem vestida. Gostava de ir sozinha e perceber as entrelinhas.

Adorava ressuscitar o James Brown e dar-lhe um abraço. Acenar de longe ao Billy Corgan como um pedido de desculpas e beijar apaixonadamente o Julian Casablancas. Podia jurar que o vi ontem. Era igualmente feio e atraente, segundo os padrões. A propósito de guy types, descobri esta tarde que os judeus em geral agradam-me, a culpa é do Cohen. Cohen é mesmo nome de judeu, não sei como é que nunca tinha reparado.

Se ficasse muda teria de me reinventar. Como é que, sem recorrer à expressão escrita, poderia ser irónica, sarcástica, ressabiada, engraçada, ambígua? A ambiguidade neste caso não seria um recurso, mas um obstáculo. E pacientes ingleses para descodificar os meus 300 gestos?! Não.

A cegueira é dos males o menor.

Os Lusíadas 0 – A cena do ódio 1

 

A gola à Camões não me assenta bem e a minha “cena” é mais a do “Ódio” do que os “Lusíadas”, mas hoje apetece-me discordar com o Almada e corrigir a frase dele: Coragem portugueses, não vos faltam as qualidades, falta-vos só a coragem!

E quando praguejo e mal digo sobre a tacanhez, pieguice e falta de inteligência dos portugueses falo de uma fatia da sociedade, grossa em todos os sentidos, a qual felizmente não constitui o bolo todo.

Eu não fui paga, como foi Camões, para elogiar os portugueses.

De fotografias mal tiradas ao copo de leite derramado estamos todos fartos. Estou-me nas tintas se o Cristóvão Colombo era português, espanhol ou o raio que o parta.

Sejam honestos, tenham a coragem de enterrar o passado num canto e plantem umas hidrângeas por cima.

Inspiração do dia seguinte

A inspiração é como o período nas mulheres, surge quando menos se espera.

Quanto mais se espera menos se recebe. O que lembra outra analogia, diferente no seu expoente mas com um denominador comum: a mulher. O expoente seria o objectivo. E no que toca ao expoente, a mulher não aprecia propriamente os dias premiados pela sua fertilidade desperdiçada.

Mas quando estes não lhe saem na rifa o caso muda de figura, estuda minuciosamente o calendário, o mês, conta ansiosamente os dias de intervalo entre um sorteio e outro.

Às vezes o prazo deste já passou, ou então, a mulher jogou nos números errados.

O mesmo se passa com a inspiração, às vezes só no dia seguinte.

XADREZ vs Damas – reciclado

As regras são universais, o adversário, bom ou mau, é escolhido pelo jogador.

Raros são os principiantes.

O xeque-mate é duplamente amargo. Porém, depois do primeiro lance o desânimo não tem autorização, sequer, para manifestar um “ai”! Lá por perdermos um ou dois jogos não quer dizer.

A qualidade do jogo é directamente proporcional aos jogadores.

A competição é saudável quando termina sem que nenhum dos jogadores alcance a vitória.

Baixamos o nível, de dificuldade, e eis que surgem outros jogos: com outras tácticas, regras diferentes, outras defesas e peões quanto baste. Há alturas em que são muito convenientes, há outras em que jogamos só por acaso e surge o ”empate”, ou empatamo-nos.

Mas independentemente do proveito tirado, propositado ou não, ficamos sempre com a sensação de que não era bem este o jogo. Ganhar ou perder é totalmente indiferente, até porque nunca perdemos, uma vez que o nosso objectivo nunca foi ganhar. Aliás, não temos sequer um objectivo.

E é assim que o Xadrez se transforma em Damas, e o amor desce o ralo.

Introspecções a terceiros – versão demo

Estou a dois passos dos 30 e cada vez mais analítica. Passaram mais de duas décadas desde a idade dos “porquês” e ainda estou cheia de dúvidas.

Às vezes gostava de ter engolido todos os dogmas da Santa Igreja e arrotado fé. Mãe, devias ter-me obrigado a continuar a catequese! Agora não tinha crises existenciais fora do prazo. Tomava um “remédio santo” e todas as minhas perguntas teriam a mesma resposta: “É a vontade de Deus!”.

Mas não, tinham que ser permissivos e atender aos meus caprichos. E agora? Acredito em quê? No amor fraterno? Não devia ser um dado adquirido, pelo menos, desde a Revolução Francesa? Liberté, Egalité, Fraternité! Devia, mas não é!

E se o grande Deus falasse concordaria comigo que Fraternité foi substituído por Hermès. Mas Deus não fala, “escreve direito em linhas tortas” e tem síndrome de Bartleby. Talvez seja esta a nossa única afinidade: preferir não fazer e acabar por não fazer nada.

Bem, esta confissão começa a dar frutos. Afinal eu sou um Bartleby, faz sentido.

Sou constantemente acusada de não gostar de nada e é verdade. Podia fazer uma lista infinita de certezas daquilo que não gosto, uma média do que gosto e uma assim-assim daquilo que não sei se gosto ou tenho medo de gostar.

Fui educada a não fazer fretes, a ser genuína, a ter frieza de pensamento e a não gostar de aprender a gostar. Alguém me convença do contrário, por favor, mas até hoje ainda não encontrei nenhuma explicação racional que me obrigue a enganar o que é emocional. É completamente falso.

Até ao fim da minha adolescência o meu pai foi o meu ídolo e se não me incutiu entre outras coisas boas, alguns disparates, eu imitei-o e fiquei assim.

Inconscientemente, ou com a melhor das intenções, ele sentou-me em cima de um muro alto sem ter onde me agarrar. Eu ali permaneci, como a menina que não pertence a nenhum dos lados do muro, a analisar.

Epidemia té logo!

Sonhar que os ventos alísios segredaram-me qualquer coisa ao ouvido, de todo, ultrapassa-me. Estará na altura de fazer um “MANIFESTO ANTI-BRANCAS?”

TÉ LOGO Whisky! PUM! TÉ LOGO!

Manifesto Anti-Depressões!

Abaixo as depressões! Uma geração caracterizada por depressivos é uma geração pior que rasca, à rasca ou enrascada. É como bater a clara de um ovo dezenas de vezes sem conseguir o efeito castelo. Pensar nela enerva-me e enche-me os pulmões de fúria choque.

Odeio-Os! Odeio-Os! Odeio-Os todos!

Os pseudo deprimidos, os deprimidos à força, os quero ser deprimido, os estou deprimido mas não faz mal, os estou deprimido mas não quero ajuda, os estou bem mas logo à noite vou ficar deprimido, odeio-os todos!

Não há alma bondosa que os aguente, ou então também é, já foi, ou quer ficar deprimida!

Vida de “praiante” é dura

A Primavera ainda agora chegou e o Verão já deu o ar de sua graça. Com esta súbita e drástica mudança de tempo interrogo-me se as 12 horas que julgo ter dormido ontem não terão sido um coma de 3 meses e os calendários estão tão baralhados quanto o nosso rico planeta. Esta teoria ser-me-ia bastante vantajosa, mas como o mundo gira à volta de quem não tem nada de útil para fazer, lamento dizer que ainda estamos em Abril.

A época balnear ainda não abriu, pelo menos oficialmente, no entanto, parece que já estou a ver os ”praiantes” a desdobrarem as suas toalhas de felpo coloridas, a encherem-se de loção de coco da Yves Rocher e a ligarem às amigas tão ou mais inúteis, para marcarem uma produtiva tarde de praia, prontas para começarem o mais árduo e importante dos trabalhos: bronzear o rabinho, com ou sem processo de emagrecimento a decorrer, já que a alternativa aos dias de praia no Inverno, foram os dias passados no ginásio, em busca do corpo perfeito.

O verdadeiro “praiante” ontem pôs, de certeza, um pé no areal e só o arreda depois de passar por todas as tonalidades que a difícil tarefa de bronzear implica: começa pelo rosa choque em dégradé, passa pelo laranja com pintas castanhas e acaba no preto baço, o meu preferido.

Como extensão às cansativas tardes de praia seguem-se as custosas noites de Verão. O “praiante” fica cansado só em pensar no que é que vai vestir, qual a vestimenta mais apropriada para mostrar o fruto do seu trabalho. É nesta altura que mostram o seu lado prático (e não só) e vestem pouca coisa, mesmo que já tenham adquirido toda a colecção de Primavera/Verão do grupo Inditex logo a seguir ao Natal, em plena época de saldos.

A vida do “praiante” não é fácil, por vezes este depara-se com preocupações do tipo: “o biquíni do ano anterior perdeu a elasticidade e o respectivo padrão está out”.

Contudo, a maior das dores de cabeça não é essa, mas as horríveis e inevitáveis marcas do biquíni consideradas um factor eliminatório na corrida à medalha de bronze. Para combater esse flagelo, o “praiante” mais pudico alterna entre solário e praia até adquirir um tom de pele homogéneo. Qualquer tonalidade abaixo do preto acinzentado não é considerada válida, pois este só atinge o expoente máximo da sua realização pessoal quando é confundido com um Zulu.

Vocês miúdos fúteis, desculpem-me, mas só têm merda nessa cabeça

Segundo os meios de comunicação social, e dito por outras palavras, tudo o que acontece de negativo é da responsabilidade da “crise económica”.

A “crise económica” está para os media, como o diabo estava para a religião, quando a sociedade era totalmente controlada pela Igreja. Assim sendo, a emergência de uma crise de valores deve-se também à crise económica, como é natural.

Uma tese de mestrado em Sociologia não me chegaria para desenvolver o tema “crise de valores”, por isso vou poupar-vos dessa palha altamente inflamável e fazendo um bocado o papel de “velho do Restelo”, vou ser muito directa:

Vocês miúdos fúteis, desculpem-me, mas só têm merda nessa cabeça. Vivem obcecados com a imagem. A palavra imagem é ambígua e é exactamente a essa ambiguidade que me refiro. Querem ser perfeitos física e socialmente. Querem ser “cool”, ou melhor, “supacool”. Querem tanto ser evoluídos, desprendidos e despidos de preconceitos que se tornaram uma reles imitação de pop-star. Não se apercebem sequer que são o lixo da cultura pop e que até uma lata de tomate tem mais valor.

Envergonham uma carrada de gente que lutou por abrir as portas da sociedade à liberdade e à igualdade. Querem exemplos? Pois muito bem, os gays são um bom exemplo. Durante décadas lutaram por um lugar, que já lhes pertencia, na sociedade. Apesar de ainda haver algum preconceito, conseguiram conquistar o seu espaço. No entanto, o espaço deles está constantemente a ser invadido por uma nova espécie de lixo urbano que também quer ser gay porque é trendy e faz questão de espalhar aos sete ventos “Sou gay!”.

But, who cares?! Não vejo ninguém a dizer: “Sou hetero!”. Não perceberam ainda que vivemos numa sociedade individualista e que estamos todos a cagar-nos uns para os outros, ó gente evoluída?! A fase de indecisão, de descobrir quem são e do que é que gostam é legítima e respeito. Mas eu refiro-me às criaturas que nem sequer questionam, que acham também que o facto de termos cabeça só tem um propósito: usar uns headphones da Wesc.

O medo de serem “uncool” consome-os e aterroriza-os enquanto dormem, pois acordados não têm sequer essa consciência: são os maiores! O “just because” e “why not?” são as suas expressões preferidas e fazem qualquer coisa… só porque.

Sexo, drogas e rock ‘n’ roll são coisas de meninos, a questão agora é se fazes sexo flexível? Como é que te drogas? E rock ‘n’ roll? Nah! Música sem alma para o corpo! Beber pela garrafa à punk é conservador. “Cool“ é enfiar um tampão cheio de álcool pelo cu acima! Tirar fotos com as amigas para recordarem a noite passada está completamente out! In é ver no youtube os vídeos da festa decadente.

Se te identificas com estes lixos, perdão, “nichos” urbanos neo-nilistas pós-modernos, explica-me como se eu fosse muito burra qual é a graça de tudo isto, pois sou demasiado quadrada para entender. Obrigada.

Rádio Matafome (de muita gente)

Desde que surgiu a rádio Vodafone, reparei que comecei a poupar significativamente em cotonetes. Talvez tenha conseguido reduzir um minuto no meu duche diário, o que é altamente improvável.

Quando o meu inseparável ex-computador morreu, não tive outra alternativa senão virar-me para a forma mais arcaica de ouvir música, isto é, comecei a ouvir rádio compulsivamente, chegando a consumir grandes doses diárias da antena3. É verdade que tem alguns programas interessantes e que para serviço público a coisa podia ser bem pior, comparando com outras rádios de fácil sintonização/péssima audição presas aos anos 90, essa bela década.

Mas uma coisa é matar o vício na fila de trânsito com a antena3, outra é intoxicar-me com ela.

Graças a uns mupies fajutos que vi espalhados pela cidade do Porto resolvi experimentar e sintonizei-me em 94.3 FM, por uma questão de respeito ao único Operador de comunicações credível no mercado. Eis que consegui evitar uma decepção na minha vida e ouvi “menos do mesmo”, como é referido várias vezes na rádio que “sabe que nós sabemos de quem estão a falar”.

Além de dar crédito às novas banditas portuguesas, que até não são assim tão intragáveis, a Vodafone FM passa o tipo de música que toda a gente com o mínimo de bom gosto consome: indie, rock, indie rock, pop, indie pop, experimental (indie experimental? Hum!), spoken word soul, fusion, jazz poético entre outras coisas menos felizes e com nomes agradáveis aos olhos dos leitores do Ípsilon, que ninguém sabe muito bem o que são, mas que já ouvi repetirem-se vezes de mais.

Seja como for, “os gostos discutem-se”, o calo do zapping desenfreado está fora de moda e a pobreza de espírito tem limites.

Não tem discos pedidos, mas podes votar no que gostas de ouvir, à la mode de facebook, no respectivo site. Não se deixou arruinar pela Publicidade, porém, ainda não é perfeita, mas pode vir a ser, ou talvez não.

Tem alguma coisa de rádio pirata, de Voxx e é sem dúvida a “ melhor rádio cá do prédio”.

O melhor de tudo é que acabou-se a ditadura e a Rihanna, os Black Eyed Peas e os Xutos são agora estigmas do passado de quem não tem computador, mp3 ou outra coisa qualquer.

A-B

Nem sempre A, nem sempre B,

Nem A.B

Nem estes, nem aqueles,

Nem como,

Nem sempre, nem só!

Corta, baralha e cola

Aqui, diante de mim,

Orfeu rebelde, canto como sou,

No silêncio do parque abandonado,

Cansada da uniforme rotação,

Assim eu canto, sem me ouvir cantar.

Veste-me a pequenez,

E nas minhas palavras vou sentindo

Carne da nossa carne,

Apodrecida,

Outros felizes…

Canto como quem usa,

Os versos em legítima defesa,

Me confesso de ser tudo

Que possa nascer em mim,

Me confesso de ser eu,

Aqui diante de mim!

adaptado de M. Torga

Verão vs Inverno

Bossanova – Jazz

Reggae – Indie Rock

Havaianas – Ugg

Esplanada – Centro comercial

Casa de ló – Café au lait

Oysho – Cortefiel

Salada – Lasanha

“Só tenho roupa branca” – “Só tenho roupa preta”

Consultar o mail – Seguir 30 blogues

“Está muito calor para fazer jogging” – “Está muito frio para fazer jogging”

Estou de ressaca, vou para a praia – Estou de ressaca, nem me mexo

O metro cheira a suor – O metro cheira a choco

O AC do trabalho exageradamente frio – O AC do trabalho exageradamente quente

Odeio o tendinha, mas às vezes vou lá parar – Odeio o tendinha, mas às vezes vou lá parar

No inverno espero já não trabalhar aqui – No verão espero já não trabalhar aqui

Portátil em cima da mesa – Portátil no colo

“Abre a janela” – “Fecha a porta”

Analgésico – Antibiótico.

1/2s Verdades

Se mentir bem é complicado, pior será dizer a verdade. É difícil expressá-la concretamente, não é que me faltem os termos, mas falta-me o jeito, ninguém gosta de a ouvir. Digo que não sei, mas não é verdade, caso contrário não a mencionaria, já que não me apetece mentir.

Se não existisse nada, não escrevia e o nada não é nada, ou melhor, é nada, zero, não tem passado, nem presente. Logo, seguindo esta linha de raciocínio, a verdade a que me refiro, encontra-se entre o nada e o qualquer coisa.

A maior das dificuldades será determinar se o x existente entre o nada e o qualquer coisa passará de verosímil a verdade propriamente dita, o que dificulta ainda mais toda a interpretação anterior, já que o contrário de uma grande verdade é uma verdade grande também.

Rebentou-se a bolha de ar e accionou-se o piloto automático.

Em linha (de montagem)

O encerrar da reunião de tupperware dá lugar a novos turnos de proletariado.

O facto de inúmeras vezes designarem os operários como empresas, isto é, OPERADORES, não é motivo para os deixarem mais satisfeitos: dirigem-se igualmente cabisbaixos para as catacumbas, prontos para se sentarem num lugar ainda quente e misturarem os seus micróbios com os de outras espécies em extinção, cujo turno termina ainda a tempo de assistirem às 9 novelas da noite.

Com apenas uma sombra do lado direito programada para repetir “Já está?” e uns cliques no rato pegajoso, se o operário não vomitar para o lado depois de fazer um Zoom In ao teclado, poderá então considerar-se o antónimo de “sem siebel” e no seu habitat natural, que é a linha de montagem.

%d bloggers like this: